sábado, 18 de julho de 2009
"E agora vou falar das Bicicletas Monark e da "marvada"
É gente. Pra quem começou agora em propaganda e tem todos aqueles programas de computador, é mole! Mas nos anos cinquenta, os ilustradores trabalhavam com pincéis e guache, eram verdadeiros artistas e pintores renascentistas. E não é que uma daquelas campanhas da linha de bicicletas tinha que ser layautadas em pranchas, todas com bicicletas em paisagens, com lindas meninas pedalando. Eram vinte, trinta pranchas, sei lá. E papai incumbiu um excelente ilustrador para fazê-las. O cara trabalhou dia e noite, durante dias, e terminou o trabalho com aquela última e artística pincelada. Voilá! E foi dormir, pois no dia seguinte, lá pelas sete horas, papai passaria em sua casa para pegar as pranchas e levá-las ao cliente, para aprovação final. Mas, para aguentar o tranco, o ilustrador dava piceladas e tragos em garrafas de conhaque estrategicamente localizadas junto à pracha de desenho (que era o que se usava na época), durante duas semanas. Embebedou-se, é claro. E caiu no sono dos justos, depois do dever cumprido. Lá pelas tantas da madruga, vítima da "marvada", acordou e viu tudo "aquilo" espalhado pelo estúdio (as trinta e tantas prachas prontas) e pronto! rasgou uma a uma dizendo: mas que bagunça, vou dar um jeito nisso! E voltou a capotar, não, dormir. Sete da manhã, a buzina do Studebaker de papai tocando, nosso amigo acorda e, surpresa! Tudo ragado e picado,o trabalho de duas semanas completamente destruído. Foi uma dificuldade evitar que o nosso artista não se suicidasse naquele mesmo momento...
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