sexta-feira, 17 de julho de 2009

"Os desdobramentos do comercial do Gigante Amaral"

Contei pra vocês a história do comercial do Gigante, filmado em Santos. Agora, seus desdobramentos. Depois de alguns dias, filmamos o segundo comercial. Nesse, usou-se o quintal de uma casa vizinha à nossa, na antiga rua Iguatemi, hoje Faria Lima, em Pinheiros. Nele, eu e Lurdinha Félix, artista mirim emprestada por sua mãe e empresária, corríamos pela entrada do carro rumo ao portão, para receber o entregador da cesta, com alegria e sorrisos encantados. Eu e ela tínhamos em torno de oito, nove anos e, é claro, pintou da minha parte aquele amor pré-adolescente. Ela? Nem aí, preocupada apenas em administrar sua carreira de estrela infantil que, no final, não decolou...
"Como os atores de antigamente sofriam"
Ainda sobre a campanha do gigante, numa determinada tarde, eu deveria participar de uma gravação sobre o produto, que aliás acabou nem rolando. Algo que envolvia o Sítio do Pica-Pau Amarelo, não lembro bem, pois estava junto a Lúcia Lambertini, a primeira Emília, da primeira série das histórias fabulosas de Monteiro Lobato, produzida pela antiga TV Tupi, sob o comando de Júlio Gouvêia, um grande intelectual e produtor de TV.
Mamãe me vestiu com uma camisa supercolorida (exigência da produção de TV, que afirmava que fotograva melhor), e lá fomos nós. A gravação não era em nenhuma emissora e sim num estúdio particular e devia ser no inverno, porque o frio era de rachar naquele estúdio devassado e rústico. A Lúcia tinha levado seu crochê para pacientemente aguardar a gravação (afinal, ela tinha bastante experiência em matéria de demora de gravações na época). Ela, o José Serber (o nosso gigante Amaral), mamãe e todos os figurantes reclamavam do frio e da demora, pois a gravação só rolou umas quatro ou cinco horas depois, com todos gelados, mal-humorados e famintos. Coisas dos primórdios da TV e da produção de comerciais dos anos cinquenta...

Nenhum comentário:

Postar um comentário