Talvez motivado pela venda de dois dos nossos craques, volto ao ano de 1958.
Foi uma semana de indiretas, diretas, pedidos emocionados e chorosos. O ano: 1958. O jogo, Flamengo e Corinthians pelo RioxSão Paulo daquele ano. Na época, não existia campeonato brasileiro e, depois dos campeonatos regionais, só o Rio-São Paulo. O estádio: o Pacaembu dos grandes clássicos, numa quarta-feira à noite.
Papai não queria me levar, alegava compromissos. Mas, na hora do almoço, a notícia tão esperada: prepare-se porque nesta noite você vai conhecer o Pacaembu! Foram horas de expectativa, onde o relógio não andava para chegar às nove da noite, que era o horário dos jogos noturnos daquela época, sem a Globo e suas novelas. Jantar antecipado, engolido às pressas e saímos de casa a bordo do Studebaker gelo de papai, subindo a avenida Rebouças, Angélica e Praça Buenos Aires, onde papai parou o carro para abastecer, e finalmente ele: iluminado, majestoso, encantado, aos olhos de um moleque de dez anos! O Pacaebu pareceu monumental, para os olhos de um garoto, cadeiras verdes e numeradas e depois de sessenta minutos de bola rolando, bola branquinha, o placar da hoje desaparecida concha acústica estampava, com seus números brancos em fundo preto, colocados manualmente: Corinthians 3 x Flamengo 0. Um Corinthians mágico, de Gilmar, Roberto, Cláudio e principalmente Luizinho, o Luís Trujillo, o "pequeno polegar", que lá pelos trinta e poucos do segundo tempo, resolveu, como fazia habitualmente, sentar na bola para humilhar os cariocas. Pra que! Um flamengista mais afoito, talvez o Pavão, um zagueirão das "antigas" foi lá, e levantou jogador, bola e um naco de grama junto! E foi aí que o tempo fechou. Os vinte e dois jogadores partiram para a briga, sob o incentivo da fiel. Fim de jogo, todos os vinte e dois expulsos de campo. Na saída, a torcida feliz, comentando o inusitado dos acontecimentos e as palavras de papai, que nunca mais saíram da minnha memória: a noite foi completa, hein! Três a zero pro seu Corinthians, com show do Luizinho e todos os jogadores expulsos. Nada mau para um primeiro jogo no campo, não é?
Papai tinha razão. Meu primeiro jogo sentado nos aconchegantes bancos de madeira verde escuro do Pacaembu tinha sido, e será, para sempre, inesquecível!
terça-feira, 21 de julho de 2009
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