Uma nova crônica. Espero que vcs gostem e comentem...
"As salas mágicas"
Era impressionante como as novelas eram feitas e iam para o ar, nos idos dos anos cinquenta
(agora sem trema).
O estúdio era uma sala enorme, da já velha casa da avenida Angélica. Pé direito altísssimo. Na entrada da sala, uma caixa de madeira continha os scripts, rodados em papel grosso e mimeógrafo, naquele azul lavado, poucos minutos antes de a novela ir para o ar, ainda úmidos, em papel jornal amarelado.
No meio da sala, alguns microfones enormes, em pedestais também enormes e outros, para os figurantes, dependurados do teto em fios comuns. Em toda a volta da sala, encostados nas paredes, bancos de madeira rústica, para os atores sentarem. Conforto, mordomia? Nenhuma. Uma lâmpada vermelha sobre a porta acendia, quando o locutor terminava de ler os comerciais, na sala em frente, atrás do aquário (vidro de isolamento acústico), que reunia locutor e sonoplasta. O contra-regra, esse verdadeiro gênio dos efeitos especiais, esse vai merecer de mim um capítulo todo especial, aguardem. O sonoplasta era o responsável pela emoção da chamada música incidental, que era a música que marcava as passagens de emoção do capítulo. Standars de sucessos do cinema, orquestradas, cheias de violinos. Ao acender a luz vermelha dentro do estúdio, indica-se que a novela estaria inciando o capítuo em poucos segundos. Silêncio total no estúdio, cessavam as conversas. Fim das brincadeiras e começa o trabalho sério, profssional, emocionante...
Era assim que funcionava, ao vivo, a radionovela dos anos de ouro. Em próximas crônicas, outros aspectos dessa arte quase perdida, que guardo viva na memória.
Abraços aos amigos blogueiros. Waldemar
sexta-feira, 10 de julho de 2009
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