domingo, 19 de julho de 2009
"Aqui, a história do meu cursinho"
Na década de sessenta, mais precisamente em 1968, em pleno ano da efervescência política no Brasil e no mundo, entrei na universidade, no caso em duas, a USP e a FAAP. Acabei desistindo da USP, em função da pressão que existia contra os sociólogos. E eu estava em Sociologia. Na noite que desisti, o exército entrou no campus (nos galpões) e prendeu todo mundo. Fiquei na FAAP, que era mais tranquila e eu adorava propaganda, e logo fiquei amigo do Ronaldo (quem não sabe, Ronaldo Luís Alvarenga, professor de artes e inventor), que já era presidente do Centro Acadêmico, e já no meu primeiro ano de facu, era secretário do Centro. Em pouco tempo, estruturamos o Centro e montamos o cursinho dentro da escola. No segundo ano, já não havia espaço para acomodarmos todos os alunos e o diretor da faculdade de artes, Prof. D'Amore, nos incentivou a montar um cursinho fora do espaço da faculdade. Afinal, era moda e vinha dando certo, vide Cursinho da GV, o do Di Gênio, o Anglo, etc. Alugamos uma casa perto da Consolação e criamos o Prearte. Sucesso! Grandes professores, nossos amigos, gente da USP, da FEI, de grandes universidades: Rodolfo, da Geografia da USP, o Marcos, primo do Ronaldo e futuro engenheiro, o Hilário, hoje doutor pela USP, o Eddy, grande design, eu, e muito mais gente. Só um, o Sandro, contratado para lecionar Geografia, que não era sua praia, acabou sendo dispensado. Explicando: a cada 45 dias eu fazia uma avaliação e os mestres que não atingiam 50% de aprovação, eram dispensados. Foi esse cara que fez a cabeça do D'Amore para reeinstalar o cursinho dentro da FAAP, o que acabou destruindo o nosso cursinho. Lutamos, contratamos até viaturas com equipamento de som, anunciamos na revista Bondinho, sucesso editorial da época, mas nada funcionou e o Prearte durou apenas um ano de felicidade e sucesso. Alguns esclarecimentos sobre o Prearte: os sócios eram eu, o Ronaldo, o Luís Carlos Tártari (maravilhosa figura humana, que infelizmente nos deixou) e o Marcos Aurélio Iglécio, primo do Ronaldo e que faleceu em um dramático acidente de moto, no dia do seu aniversário). E mais: durante o ano que funcionou, o Prearte foi um sucesso inigualável, ocupando as calçadas da Rua Pedro Taques, pequena travessa da Consolação, com seus alunos jovens e duas carteiras. Nesse período, tivemos como aluno um hoje grande amigo meu, o diretor de arte Roberto Kanji. Êta mundo pequeno, sô!
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