sábado, 11 de julho de 2009

"Meu Inesquecível Amor"

Noites de quarta-feira, década de sessenta. O programa Cartas de Amor limitava-se a uma apresentação por semana, na Rádio São Paulo. Nessas noites eu acompanhava papai à emissora, e ficava no carro por meia-hora, das nove às nove e meia, lá na avenida Angélica, como já falei em outras crônicas. E exatamente às nove da noite, começava uma das coqueluches da programação noturna do rádio paulista, dos anos sessenta, apesar da concorrência da televisão. Nesse horário ia para o ar o programa Cartas de Amor, com texto de Fred Jorge (o já falecido Fuad Jabur, versionista e redator de respeito, responsável por todas as versões das músicas americanas de Roberto Carlos e Cely Campello, entre outros grandes intérpretes) e interpretação romântica de Walde Ciglioni. Eu ficava no banco dianteiro do belo e espaçoso Studebaker gelo, absolutamente seguro durante aquela mei-hora. Afinal, os tempos eram outros e talvez os ladrões também estavam ouvindo as Cartas, sei lá. E aí eu ligava o rádio do carrão, a válvulas, para ouvir papai dizer, depois da introdução musical do programa, com a inesquecível e consagrada canção Love Letters, dizendo, romanticamente:"meu amor, meu inesquecível amor". E eu sabia, já naquela época, que milhares de mulheres, casadas ou não, por toda a cidade, estariam suspirando, emocionadas...

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