Agora vou contar uma história antiga, sobre a minha vocação profissional.
Quando entrei na minha primeira agência de propaganda, como profissional. Porque antes já havia estado em pelo menos duas, mas ambas de papai, e eu apenas como filho do dono. A primeira, profissionalmente, foi a antiga e extinta Dois Pontos, de Carlos Ivan Siqueira e Délcio Pereira, além do José Carlos Diniz, grande cara. Bom, logo nos meus primeiros momentos de agência, que na época se apoiava em dois clientes: a antiga Varig, onde Ivan cuidava de toda a comunicação e a Pullman, a pioneira do pão de forma no Brasil, do seu Manoel, padeiro de visão que transformou essa atividade no país graças à sua visão e modernidade (ele foi o responsável pela vinda do pão de forma, dos bolinhos recheados, etc.). mas a história é a seguinte: nos meses de verão, os produtos como os bolos e bolinhos recheados, considerados "quentes", perdem suas vendas. Caem até 20, 25% no seu consumo, em detrimento dos sorvetes, por exemplo. Seu Manoel, grande comerciante, queria algo que alavancasse a venda de seus bolos, como o Califórnia, por exemplo e sobrou para mim, redator e criativo da agência, pensar em algo. E é como eu digo: nada melhor do que a memória, que é o nosso arquivo pessoal, para resolver os problemas criativos. O repertório, que é como eu digo em minhas aulas. E foi esse repertório que me fez lembrar de que, quando criança, brincando, peguei um sabão em barra da lavanderia, de cor rosa, lembro bem, e colocando-o contra luz percebi um objeto dentro dele, dentro de sua massa. Com uma faca afiada (essas crianças!), cortei-o no meio e descobri uma cápsula de plástico, tipo ampola. Abri, e qual a minha surpresa! Dentro dela havia um papel impresso com o texto "vale um ferro elétrico". Uma promoção empírica, em plenos anos cinquenta, de algum fabricante mais ousado e moderno, porém sem qualquer noção de marketing, pois nada havia circulado nos meiso de comunicação sobre a ação promocional. Pronto! Aí estava o lance! Um vale-brinde nos produtos, na massa dos produtos Pullman! Dito e feito: Cortou, Achou, Ganhou! da Pullman alavancou em mais de 45% as vendas dos produtos quentes e levou, de lambuja, um Prêmio Colunistas para a agência. Um golaço do meu repertório, de minha intuição promocional. Mas essa história de criatividade teve seus desdobramentos, com Armando Marques e muito mais, que eu reservo para uma nova oportunidade. Ah, faltou dizer o ano: 1976. E faltou dizer que logo depois, alguns dias depois, a Nestlé saiu com a mesma ação no seu famoso Nescau (vale-brinde dentro do pó). Mas quem começou fui eu, podem acreditar...
segunda-feira, 13 de julho de 2009
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